domingo, junho 4

Um advogado a caça de patos no Alentejo

Um advogado todo benzoca, de Cascais, vai caçar patos para o Alentejo.
Dá um tiro, acerta num pato, mas o bicho cai dentro da propriedade de um
lavrador.

Enquanto o advogado saltava a vedação, o lavrador chega no

tractor e pergunta-lhe o que estava ele a fazer. O advogado respondeu:
"Acabei de matar um pato, mas ele caiu na sua terra, e agora vou buscá-lo".

O velhote responde: "Esta propriedade é privada, por isso não pode entrar"


O advogado, indignado: "Eu sou um dos melhores advogados de Portugal! Se

não me deixa ir buscar o pato eu processo-o e fico-lhe com tudo o que
tem!

O lavrador sorriu e disse: O senhor não sabe como é que funcionam as

coisas no Alentejo! Nós aqui temos o Código Napoleónico! Nós
resolvemos estas pequenas zangas com a Regra Alentejana dos Três
Pontapés. Primeiro eu dou-lhe três pontapés; depois você dá-me três
pontapés; e assim consecutivamente até um de nós desistir!

O advogado já se estava a sentir violento há um bocado, olhou para o

velho e pensou que era fácil dar-lhe uma carga de porrada. Por isso,
aceitou resolver as coisas segundo o costume local. O velho, muito
lentamente, saiu do tractor e caminhou até perto do advogado.

O primeiro pontapé, dado com uma galocha bem pesada, acertou directamente

nas bolas do advogado, que caiu de joelhos e vomitou.

O segundo pontapé quase arrancou o nariz do advogado.


Quando o advogado caiu de cara, com as dores, o lavrador apontou o

terceiro pontapé aos rins, o que fez com que o outro quase desistisse.

Contudo, o coração negro e vingativo do advogado falou mais forte. Ele

não desistiu, levantou-se, todo ensanguentado, e disse: Bora, velhote!
Agora é a minha vez!

O lavrador sorriu e disse: Nah! Eu desisto! Leve lá o pato!

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